terça-feira, 14 de junho de 2011

a febre reveladora

A meio da noite, entre suores e delírios, a memória põs-se a limpar um quarto qualquer onde alguém me dizia "queria ser a tua Suécia em Portugal" (da altura em que batalhava para cá voltar).
 
Chapada, chapada, toma que é para aprenderes, que agora é ver-te à procura de Portugal na Suécia, a chorares "mamã" em segredo e a constatar que assim não dá, vais ter que ir mais vezes por ano a Portugal para não perderes o juízo.

domingo, 12 de junho de 2011

às vezes a saudade entra pela porta das traseiras, de mansinho...

Esta noite sonhei que me fartei. Daqueles sonhos que são como um filme, em que só assistimos atrás da máquina que são os nossos olhos, sem poder de iniciativa ou voz. Nem sei que voz as outras pessoas tinham, se portuguesas, suecas ou inglesas.

Pois havia uma grande mesa comprida (várias, por baixo das toalhas) no meio de uma rua em paralelo, a descer. Esta tinha a delimitá-la casas de pedra com rés-do-chão e primeiro andar. Ao longe, o Sol punha-se atrás das montanhas. Eu estava rodeada de pessoas de quem gostava muito, mas não tenho a certeza se eram a minha família. Cheirava a sardinha (os sonhos, os sonhos...) e pimentos assados. O clima era de São João.

No momento seguinte, estava já à beira-mar. Uma mistura de Póvoa de Varzim com Foz do Porto, prédios altos e confeitarias e cafés nos rés-do-chão, mas o mar mais longe deles. Havia barcos na areia, vindos da pesca. Aqui apercebi-me que não estava em Portugal. Era Gotemburgo, dizia-me alguém. A única confeitaria que vendia produtos portugueses ficava num prédio muito grande (tipo Edifício Transparente) e já lá dentro recebi uma caixinha. Línguas de gato, ovos moles, dois pastéis de nata...

Depois continuei a caminhar à beira-mar. Se estava sozinha, não o senti, pois tinha o coração quente.
Tenho saudades disso.
E do Oceano.
E de vocês.


Sim.
Ao sétimo dia, Deus criou a Saudade.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"o que não nos mata, torna-nos mais fortes"

Mas quem disse que não mata?
Mata sim. Há sempre uma parte do Sonho que morre. 
Há sempre uma parte da bombita colorida que escurece, que seca. O sangue deixa de por lá passar. A frieza e a dureza - por questões lógicas de sobrevivência - passam a apoderar-se dos domínios daquela, daí a aparente força que a anti-morte provoca. Para que os cantos escuros não sejam tantos que o sangue já não tenha ruas para correr nem o Amor avenidas onde desmaiar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

a saudade bate à porta

Lavo a loiça.
Na minha cabeça toca uma campainha de porta.
Desligo a água para ir abrir. Páro-me. Espera lá, aqui a campainha não toca assim.

Assim toca em Rio Tinto.

domingo, 5 de junho de 2011

janelas

Se há coisa que gosto no apartamento onde vivo, é da janela à beira do duche... De tomar um duche no fim do dia com a luz do Sol a pôr-se do outro lado do vidro (Primavera/Verão).

Um dia corri a memória à procura das casas que conhecia com janelas à beira do duche e aterrei, enamorada, na antiga casa dos meus avós maternos, na Rua Faria Guimarães, o meu infantário eutópico.

Uma janela que tinha do lado de fora um tanque de pedra , uma rede, as coelheiras e as galinhas todas. Algures à direita da janela, as rolas. Lá dentro, escuro, e o cheiro a louça. A louça a sério, imaculadamente lavada. E um perfume floral que ainda hoje sei reconhecer.

sexta-feira, 3 de junho de 2011


Fotografia tirada por volta das nove horas da noite.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

a vida e a morte numa lufada de ar fresco




Os objectos das fotos estavam a poucos metros uns dos outros, numa reserva natural.